Comentário a notícias relevantes para empresários portugueses.
A discussão pública sobre o Tribunal de Contas foca-se no tempo e no poder. Carlos Albuquerque, no Jornal de Negócios, coloca a questão certa: e se o problema não fosse institucional, mas tecnológico? Para as PME, a resposta importa mais do que parece.
Um artigo de opinião no ECO diz que a IA expande o trabalho em vez de o reduzir. Tem razão — mas por uma razão que vai além do que o texto diz.
A Incentea de Leiria adquiriu uma posição maioritária na Kaizen Tech. A notícia parece boa. O risco que ninguém está a discutir é que comprar metodologia não é o mesmo que aplicá-la.
O factoring atingiu 51,5 mil milhões de euros em 2025, um recorde histórico. Toda a gente celebra. Eu preocupo-me.
Portugal tem 2,63 trabalhadores por cada reformado e o número vai cair. Mas a crise das pensões não vai ser resolvida com mais pessoas — vai ser resolvida com mais produção por pessoa.
Os viticultores do Douro estão a ficar desmotivados com o aumento de custos. Mas a conversa sobre custos está a esconder o problema real: uma estrutura de preços que não funciona há décadas.
A AICEP tem 85 projetos de IDE em análise, com valor implícito acima dos 22 mil milhões de euros. O número impressiona. O que ele revela sobre Portugal é mais incómodo do que parece.
Miranda Sarmento antecipa revisões em alta do PIB de 2024 e 2025. Para a maioria das PME portuguesas, isso muda absolutamente nada — e essa é precisamente a má notícia.
Três projetos portugueses foram selecionados no primeiro leilão europeu de descarbonização do calor industrial. A notícia é boa. O perigo está no que ninguém diz a seguir.
O Governo simplificou as regras do papel comercial e o mercado aplaudiu. Mas para a esmagadora maioria das PME portuguesas, esta porta acabou de se fechar — não de abrir.
Portugal executou menos de metade do PRR previsto em 2025, segundo o CFP. A maioria vai ler isto como notícia má. É exactamente o oposto.
Bruxelas vê défice e menos crescimento. O Governo diz que está tudo bem. Para um dono de PME, a versão mais pessimista é a mais útil — e eis porquê.
O IEFP pagou 8,6 milhões de euros a trabalhadores para fazerem formação digital. O problema não é o dinheiro. É o que não muda depois de ele entrar na conta.
Desde janeiro de 2025, a regulação obrigou os bancos a equiparar o preço das transferências imediatas às transferências a crédito. O resultado foi imediato: a adoção disparou. O que isto revela sobre como as PME estavam a ser penalizadas — e ainda estão, noutros sítios.
Os IRGAwards 2026 juntaram CGD, Teixeira Duarte e Ubbu para falar de inovação e IA. A frase mais reveladora da noite não foi dita por nenhuma empresa. Foi dita por um pai.
O Portugal 2030 chegou a 18% de execução. Toda a gente festeja ou lamenta o número. Ninguém está a fazer a pergunta certa.
A candidatura ibérica a uma das cinco gigafábricas de IA da Comissão Europeia concentra-se em Sines. É uma vitória real. E pode ser exactamente por isso que não muda nada para a maioria das PME portuguesas.
Alexandre Montenegro argumenta que o talento continua raro na era da IA. Tem razão. Mas não pela razão que pensa — e isso muda tudo para quem gere uma PME com orçamento de marketing limitado.
O Estado vai usar 3,88 milhões de euros de reembolsos do QREN para financiar a edição de 2026 do Web Summit. Toda a gente está indignada. E toda a gente está a discutir o problema errado.
A insolvência da Inapa em 2024 foi desencadeada por um veto da Parpública. A lição para as PME não é sobre liquidez — é sobre quem decide quando a empresa precisa de decidir.
As filas intermináveis no Humberto Delgado são um sintoma de sucesso, não de falhanço. O que está verdadeiramente a falhar não é a chegada — é o que fazemos depois dela.
O CEO do BCP garantiu que não vai haver restrições de crédito por causa da guerra. É exactamente esse o problema para muitas PME portuguesas.
Miguel Maya pergunta se podemos achar a lei laboral adequada com 19% de desemprego jovem. A pergunta certa seria outra. E a resposta não está onde os empresários andam a procurar.
O excedente orçamental português foi de 0,7% do PIB em 2025. Os pagamentos em atraso do Estado subiram para 337 milhões de euros no mesmo ano. Para a PME fornecedora do Estado, a segunda frase é a única que importa.
O Fisco deu por irrecuperáveis 12 mil milhões de euros em dívidas — 41% do total a cobrar. A maioria vai interpretar isto como um escândalo. É, na verdade, o argumento mais honesto para mudares a forma como geres os teus custos fiscais.
O debate sobre a flexibilização do mercado de trabalho está mal colocado: não é a rigidez dos contratos que nos torna menos competitivos, é o modelo económico que escolhemos. Carlos Jorge Carvalho, do painel McKinsey, mostra os números — e são incómodos.
A OpenAI está a testar publicidade no ChatGPT e os anunciantes dizem que é 'conceptualmente muito interessante'. Mas para a maioria das PME portuguesas, esta notícia é pior do que parece à primeira leitura.
O Governo quer voltar aos 23% na restauração. Toda a gente discute o buraco nas contas públicas. Ninguém discute o que esse buraco comprou — e se comprou bem.
O secretário-geral do PS disse que a reforma laboral do Governo vai 'asfixiar' as empresas. A afirmação mais perigosa desta semana não é essa — é a que ficou por dizer.
O acordo tripartido prevê 970 euros para o salário mínimo em 2027 e o Governo admite antecipar para os 1 000. As confederações já reagiram. A maioria está a discutir o problema errado.
O Estado português teve de construir de raiz um sistema para gerir candidaturas do PRR porque muitos beneficiários intermediários simplesmente não tinham nenhum. O SIGA é a solução. E revela algo que deveria preocupar mais do que o calendário de pagamentos.
O Presidente da República promulgou a extensão da moratória de crédito por 12 meses para empresas afetadas pelas tempestades de inverno. A medida parece um alívio. Pode ser uma armadilha.
Rui Teixeira, CFO da EDP, diz que o CFO não pode gerir pelo retrovisor. A afirmação parece óbvia. Não é — e a maioria das PME portuguesas prova-o todos os dias.
A saída de Powell e a entrada de Kevin Warsh dominam as manchetes financeiras. Para o empresário português, o sinal mais importante está noutro sítio completamente diferente.
O Governo anunciou uma reforma do setor empresarial do Estado com mais autonomia e menos burocracia. O problema está exatamente naquilo que prometem não mudar.
A CPPME alerta que o IVA de 23% vai provocar mais falências e desemprego. Têm razão nos sintomas. Estão enganados na causa.
A DBRS prevê lucros bancários mais moderados em 2026. O que parece má notícia para o setor é, na verdade, o sinal que as PME deviam estar a monitorizar com mais atenção do que os seus próprios resultados.
Os juros da dívida pública portuguesa estão a subir por causa da guerra no Irão e da inflação energética. Toda a gente está preocupada com o Estado. Ninguém está a falar do que isto significa para o decisor de uma PME.
Saiu o último relatório do INE sobre demografia das empresas em Portugal. Os números são duros e a razão é mais simples do que parece.