Quadro de cortiça na parede de um ginásio de bairro, com uma folha A4 impressa presa por pionés e a luz da manhã a entrar pela montra

Treino num ginásio pequeno em Aveiro quando vou lá visitar a família. Há um quadro de cortiça ao lado da receção que me ensinou mais sobre relatórios do que os anos que passei a fazê-los. Vou contar-te porquê, porque aposto que também tens um “quadro” destes em casa. Só que o teu custa-te um serão por semana.

O ginásio é do Pedro, 44 anos, antigo nadador. Todas as segundas, às 7h, aparece no quadro uma folha A4 com o ranking da semana: quem treinou mais vezes e quem subiu mais lugares. Os sócios param ali antes de irem para o balneário. A Dona Lurdes, de 71 anos, tira uma fotografia quando aparece no top 10 e manda-a para o grupo da família.

Perguntei ao Pedro quanto tempo demorava a fazer aquilo.

“Agora? Zero. Mas, durante três anos, levava-me o domingo à noite inteiro.”

Ele explicou-me. Às 21h, sentava-se à mesa da cozinha com o portátil. Abria o sistema das entradas num separador, a aplicação das aulas noutro e a folha do desafio dos passos noutro. Copiava números para uma tabela, confirmava nomes escritos de maneiras diferentes, escrevia duas linhas de destaque e imprimia. A mulher chamava-lhe “o relatório do jantar frio”.

Mesa de cozinha à noite com um portátil aberto em várias abas, um caderno com colunas de números à mão e um prato de jantar intacto ao lado

Em três anos, falhou uma vez. Foi ao casamento da irmã, em Viseu, num sábado. Chegou a casa no domingo à meia-noite e adormeceu no sofá.

Na segunda-feira, às 7h10, a Sónia, que está na receção, mandou-lhe uma mensagem:

“Pedro, o quadro? Já tenho aqui três pessoas a perguntar. O Sr. Abílio diz que esta semana ia ser dele.”

Às 8h já eram oito pessoas. Ninguém se queixou do chuveiro nem do preço. Queixaram-se da folha que não estava na parede.

“Foi aí que percebi”, disse-me ele. “Eu achava que vendia máquinas e aulas. Vendia o quadro. E o quadro dependia de eu estar acordado a um domingo.”

Na semana seguinte, fez uma coisa pequena. Programou a recolha automática dos números para as 6h de segunda-feira, a partir dos três sítios onde já estavam. Programou também o texto dos destaques, escrito na mesma voz que usava nos seus: “A Dona Lurdes subiu catorze lugares. Alguém lhe pergunte o que andou a comer.” O relatório completo chega-lhe por email às 6h05. O top 10 aparece no grupo dos sócios às 6h06. Uma cópia fica guardada numa pasta, semana após semana, para perceber quem anda a crescer. A Sónia só tem de imprimir a folha e prendê-la com dois pionés.

Mãos a prender uma folha A4 acabada de imprimir num quadro de cortiça, com um telemóvel pousado ao lado a mostrar uma notificação, luz de manhã cedo

“E o Sr. Abílio?”, perguntei.

“Ganhou na semana seguinte. Disse que foi por justiça.”

O Pedro continua a ler o relatório todas as segundas, enquanto bebe o café. Só deixou de o fabricar.

No teu negócio é igual

Tens um quadro de cortiça. Pode chamar-se relatório semanal para os clientes da agência, resumo da atividade da comunidade, números de segunda-feira para a equipa ou ponto de situação para o sócio. É aquela coisa que toda a gente espera e que, quando falha, toda a gente nota.

E tens um domingo à noite. Alguém abre cinco separadores, copia números para uma tabela, confirma nomes, escreve duas linhas de destaque e carrega em enviar. Às vezes, és tu. Outras vezes, é a pessoa mais cara da equipa, ocupada com trabalho de copiar e colar.

Repara no que isto te custa. Um serão por semana dá perto de cem horas por ano. Um relatório que sai atrasado dá um cliente a ligar para perguntar por ele. E um cliente que tem de perguntar já começou a duvidar. A semana em que o relatório não sai nunca é esquecida, mesmo que tenhas feito tudo o resto bem.

Quando passa a sair sozinho, os números são recolhidos onde já estão, à hora que escolheres. O texto dos destaques é escrito com a tua voz, porque foste tu que deste o modelo. O relatório completo chega-te por email, o resumo chega a quem só quer o resumo e fica uma cópia guardada para comparares os meses. Tu lês com o café e decides o que fazer. Deixas de ser a pessoa que fabrica a folha.

Para veres como isto se monta

Este relatório, que sai sozinho à hora marcada, é uma das cem automações da Fluxoteca, a minha biblioteca de fluxos prontos a usar. Neste fluxo, os dados vêm do ranking público de uma comunidade. Mas o esqueleto serve para qualquer relatório periódico feito a partir de números que já existem noutro sítio: os dos teus clientes ou os da tua aplicação.

Antes de decidires seja o que for, abre os dois fluxos grátis. Vais perceber como as peças encaixam e se isto é para ti.

Ver os dois fluxos grátis da Fluxoteca →

E responde a este email com uma coisa só: qual é o teu “quadro de cortiça” e quantas horas por semana demoras a fabricá-lo. Leio todas as respostas, uma a uma. É o número que melhor me diz para onde anda a fugir o teu domingo.

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