
Há uma garrafeira em Gaia onde compro vinho há anos e onde vi uma coisa que nunca mais me saiu da cabeça. Vou contar-ta, porque tenho quase a certeza de que o teu site sofre do mesmo problema que aquelas prateleiras tinham.
O Sr. Abel tem a garrafeira desde 1994, na Rua Cândido dos Reis. Sabe tudo. Pegas numa garrafa e ele fala-te da encosta, do ano da chuva, do prato que fica bem com aquele vinho. Dez minutos sem respirar. Os clientes saem de lá a saber mais do que quando entraram.
Mas as prateleiras só tinham o preço. Uma etiqueta branca, 11,90, mais nada. Perguntei-lhe uma vez porquê.
“Há anos que digo que vou escrever um cartãozinho para cada vinho. Chego a casa às oito, janto, e não me apetece escrever nada.”
Isto durou vinte e tal anos.

Num sábado de manhã, por volta das 9h40, a sobrinha dele, a Marta, começou a trabalhar lá aos fins de semana. Logo na primeira hora, ouviu-o falar de um Douro a um casal. Quando eles saíram, ela pegou num caderno e escreveu quatro linhas. Depois arrancou a folha e pousou-a à frente dele.
“Tio, lê isto. Se estiver bem, pões um visto.”
Ele leu. Riscou uma palavra.
“Não é frutado. É maduro. Frutado é outra coisa.”
Corrigiu e fez um visto com a caneta azul, no canto. Dois segundos. A Marta passou o texto para um cartão de cartolina e encostou-o à garrafa.

E passou a ser assim todos os sábados. Ela ouve-o falar durante a semana, escreve cinco ou seis cartões e, ao sábado de manhã, enquanto ele bebe o café, põe-lhos à frente. Ele lê, risca uma palavra ou duas, faz o visto. Nunca escreve uma linha. Só aprova. Cinco minutos.
Três meses depois, passei lá numa terça-feira à tarde. O Sr. Abel estava ao fundo, à conversa com o fornecedor. Uma senhora pegou numa garrafa com cartão, leu e levou-a para o balcão sem perguntar nada. Quando ele veio atendê-la, ela disse:
“Levo este. Diz aqui que é para o cabrito.”
Ele olhou para o cartão e sorriu.
“Isso disse eu.”
A Marta, de trás do balcão: “Disseste tu, escrevi eu, aprovaste tu.”
Hoje, os vinhos com cartão vendem mais do que os que não têm cartão. E o Sr. Abel não escreveu uma linha. A única coisa que faz é a parte que só ele sabe fazer: dizer se está certo.
No teu negócio é igual
O teu site é a prateleira do Sr. Abel. Tem o preço e o telefone, e pouco mais. O blog tem um artigo de 2023, escrito num domingo à noite, com a promessa de publicares um por semana. Nunca mais fizeste outro.
E tu sabes tudo sobre aquilo que vendes. Explicas dez vezes por dia ao telefone, a cada cliente que pergunta. O que não tens é tempo para te sentares a escrever, nem vontade de o fazer às oito da noite.
Repara no que isto te custa. Quem procura no Google aquilo que fazes encontra o concorrente que tem vinte artigos, e não te encontra a ti. Quem chega ao teu site vê que está parado há dois anos e pensa que o negócio também está. E as mesmas dez perguntas a que respondes todos os dias continuam a ser respondidas por ti, uma a uma, em vez de ficarem escritas uma vez, para toda a gente ler.
O Sr. Abel não aprendeu a escrever melhor. Mudou de papel. Deixou de ser o escritor e passou a ser o revisor. E a Marta do teu negócio não precisa de ser uma pessoa.
No meu site, é isto que faço. Uma vez por semana, chega-me ao telemóvel um artigo já pesquisado e escrito sobre um tema que os meus clientes costumam perguntar. Leio-o ao café, como o Sr. Abel. Se estiver bem, respondo com um visto e o artigo é publicado sozinho. Se houver uma palavra errada, digo qual é e o texto volta corrigido. Nada sai sem o meu visto. Cinco minutos ao sábado, e o blog deixou de estar parado.
Quando quiseres ver como se monta
Pus na Central sem Bluff o passo a passo exato daquilo que uso no meu próprio site: como escolhe o tema, como escreve com a tua voz em vez de parecer um robô, como te chega ao telemóvel para aprovares e qual é o travão que impede alguma coisa de sair sem o teu visto.
Ver o passo a passo na Central (palavra BLOG) →
E, mesmo que não montes nada, responde a este email com uma coisa: qual é a pergunta que os teus clientes te fazem mais vezes? É a tua primeira garrafa com cartão. Leio todas as respostas, uma a uma.
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