Caixa de cartão aberta no chão de uma sala, com as peças de um móvel arrumadas por cima do manual e uma chave sextavada

O meu cunhado e eu precisávamos do mesmo móvel na mesma semana. Uma estante para a sala, nada de especial. O que fizemos a seguir foi tão diferente que acabou por me ajudar a explicar uma coisa sobre o meu trabalho que eu ainda não sabia dizer bem.

Eu fui a uma loja, trouxe uma caixa, abri-a no chão da sala e segui o manual. Peça 3 na peça 7, dezasseis parafusos, uma chave pequena. Quarenta minutos, com um café pelo meio. Ficou direita. Não é a estante mais bonita do mundo, mas está cheia de livros desde esse dia.

O meu cunhado é dos que fazem tudo de raiz. Foi comprar as tábuas, mediu, cortou, lixou. No primeiro fim de semana ficou com a estrutura pronta. No segundo, descobriu que uma prateleira tinha ficado dois centímetros mais curta e teve de voltar à madeireira. No terceiro, envernizou. Ficou mais bonita do que a minha, sem dúvida. Também ficou pronta três fins de semana depois. Entretanto, os livros dele ficaram em caixas no corredor.

Oficina improvisada numa garagem, com tábuas cortadas, serradura no chão e uma prateleira encostada à parede por acabar

Mas a parte que interessa veio depois. Quando a minha mãe quis uma estante para o corredor, com uma medida esquisita por causa de um contador da luz, nem eu nem a caixa servíamos. Chamou um carpinteiro. Ele veio, mediu, fez a estante à medida e cobrou o que cobra um carpinteiro. Ficou perfeita naquele sítio e não servia em mais nenhum.

Três estantes. Três caminhos. Nenhum deles está errado. Só fica errado quando escolhes um caminho que não serve para o que tens à frente.

Estante por medida encaixada numa parede de corredor, à volta de um contador da luz, com a fita métrica pousada numa prateleira

No teu negócio é igual

Quando um dono de negócio decide que quer deixar de fazer tudo à mão, tem os mesmos três caminhos.

O do meu cunhado: aprende sozinho, de raiz. Vê vídeos, experimenta, parte coisas, volta atrás. É o caminho mais bonito e o mais caro, porque se paga em fins de semana. Vejo pessoas a demorarem meses a montar uma coisa que já existe montada, só porque ninguém lhes disse que havia uma caixa.

O da caixa: peças prontas e um manual decente. Quarenta minutos, não três fins de semana. Não fica à medida de uma parede esquisita, mas resolve hoje o que noventa por cento das pessoas precisa de resolver. E tira os livros das caixas.

O do carpinteiro: alguém que vem, mede o teu negócio e constrói à medida. Custa o que custa um carpinteiro. E é o único caminho certo quando a parede é mesmo esquisita.

O erro que vejo todas as semanas é escolher o caminho pelo orgulho, não pela parede. Fazer tudo de raiz porque “assim aprendo”, quando o que fazia falta era uma estante pronta até sexta-feira. Ou chamar o carpinteiro para uma parede normal.

A caixa, e o carpinteiro

Foi por isto que montei a Fluxoteca. É a caixa: cem automações para pequenos negócios, escolhidas uma a uma, testadas e acompanhadas por um manual em português. Diz-te o que cada uma faz, para quem serve e o que precisas de ligar. Abres, importas e segues os passos.

Duas delas são grátis, para veres o que está lá dentro antes de decidires seja o que for: as faturas que chegam por email arrumam-se sozinhas para a contabilidade e, todas as manhãs, às 9h, recebes a lista das pessoas que ainda estão à espera da tua resposta. Cada uma inclui uma aula em vídeo de dez a quinze minutos.

Levar os dois fluxos grátis →

E se a tua parede é esquisita, se o teu negócio tem um contador da luz onde nenhuma caixa encaixa, o carpinteiro sou eu, na Alavanca. Começa por uma conversa de diagnóstico, que não custa nada.

Responde-me a isto: qual dos três és tu, o meu cunhado, a caixa ou o carpinteiro? E há quanto tempo estão os teus livros no corredor?

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