Tanque de pedra numa marquise antiga, com uma peça de roupa de molho e uma máquina de lavar nova ainda com o plástico, ao lado

O Sr. Álvaro é vizinho dos meus pais há mais tempo do que eu tenho de vida. Durante vinte anos, lavou a roupa à mão no tanque da marquise, todas as terças e sábados. Vou contar-te por que razão mudou, porque a conta que ele fez é a mesma que tu ainda não fizeste.

Não era por falta de dinheiro. Uma máquina custa trezentos euros e ele tinha trezentos euros. Era por uma razão que repetia com orgulho: “Eu lavo melhor do que a máquina e não me custa nada.”

A primeira parte era verdade. A segunda era o problema.

Senhor de idade de camisa arregaçada, a esfregar roupa num tanque, com a luz da manhã a entrar pela janela da marquise

Um dia, a filha sentou-se com ele à mesa da cozinha, pegou numa folha de papel e fez-lhe duas perguntas.

“Pai, quanto tempo demoras a lavar a roupa, à terça e ao sábado?”

“Umas duas horas de cada vez. Já com o estender.”

“E o que farias nessas quatro horas por semana se não estivesses no tanque?”

Ele ficou calado. Depois disse que ia à horta, que o tomate naquele ano não tinha dado nada de jeito e que o neto andava a pedir-lhe para ir ver os treinos.

A filha escreveu na folha: quatro horas por semana, duzentas horas por ano. Depois escreveu o preço da máquina, dividido por dez anos de vida, e somou a água e a eletricidade. Deu qualquer coisa como cinco cêntimos por hora de roupa lavada.

“Pai, o senhor está a gastar duzentas horas por ano para poupar trinta euros.”

A máquina chegou na semana seguinte. A roupa, segundo ele, continua a ficar pior do que no tanque. O tomate este ano está bonito.

Mão da filha a escrever a lápis numa folha quadriculada, à mesa da cozinha, com o Sr. Álvaro sentado do outro lado

No teu negócio é igual

Tu também tens um tanque. É o WhatsApp a que respondes vinte vezes por dia. São as faturas que andas a caçar no e-mail ao domingo. É o relatório que preparas à mão todas as segundas-feiras. É o “eu faço isto num instante” que, tudo somado, dá as duas horas por dia que não tens para a horta, seja lá o que for a tua horta.

E tens o mesmo orgulho do Sr. Álvaro: fazes melhor do que qualquer máquina. Provavelmente é verdade. Mas o “não me custa nada” é mentira. E é a mentira mais cara do teu negócio.

Também há o outro lado, porque há muito bluff nisto. Toda a gente te promete funcionários de IA quase de borla, a trabalhar vinte e quatro horas por dia. As contas reais são estas:

  • O “escritório” onde as automações correm custa entre cinco e vinte euros por mês. Paga-se uma vez e serve para tudo.
  • O “cérebro”, a inteligência que responde, custa entre poucos euros e algumas dezenas por mês, dependendo da utilização.
  • O que ninguém te diz: há custos por conversa no WhatsApp profissional. E montar e afinar tudo leva tempo, que também não é gratuito. Quem te vender “liga e esquece” está a fazer bluff.
  • E há casos em que não compensa. Tens menos de dez conversas por dia? Responde tu, com uma boa mensagem preparada. O processo muda todas as semanas? Automatizar confusão só dá confusão mais depressa.

A conta certa é a da filha do Sr. Álvaro, mas feita ao contrário. Vê quantas horas por semana gastas em tarefas repetitivas e multiplica esse número pelo valor de uma hora tua. Esse é o máximo que faz sentido investir. Se a máquina custa menos, a decisão está tomada. Se custa mais, fica no tanque, com orgulho e com razão.

As contas todas, sem bluff

Pus na Central sem Bluff aquilo que pago de verdade para ter automações a correr nos clientes, ferramenta a ferramenta, e os casos em que digo às pessoas para não automatizarem nada. Sem “a partir de” nem promessas bonitas.

Ver as contas na Central (palavra CUSTO) →

E, se fizeres a conta do tanque, manda-ma. Diz-me quantas horas gastas por semana e o que farias com elas. É a resposta de que mais gosto e respondo a todas.

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